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Os impactos do 5G no Brasil

Os impactos do 5G no Brasil


Com a chegada do 5G no Brasil, o que podemos esperar de mudanças práticas na nossa vida?

Em junho, Brasília passou a ser a primeira cidade com o 5G “puro” a funcionar no Brasil. As próximas cidades que receberão são São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB) e Belo Horizonte (MG). A previsão da Anatel é que até 29 de setembro de 2022 todas as capitais brasileiras receberão a nova tecnologia 5G.

Apesar de parecer que o brasileiro já tinha ouvido falar que a tecnologia 5G estava disponível, na prática a situação é um pouco diferente. Segundo Lilian Primo Albuquerque, vice-presidente de tecnologia da ANEFAC, a confusão ocorreu porque o que existia antes era o 5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing), em tradução livre serial algo como “compartilhamento dinâmico de espectro”. Trata-se de outra tecnologia que compartilha a capacidade das redes 4G, 3G ou 2G e pode ser considerada de quinta geração, mas em termos de performance não tem comparação entre as duas tecnologias, o 5G chamado de “Puro” é muito superior.

A navegação do 5G em relação ao 4G será de uma velocidade em média 30 vezes maior. Para dar um exemplo: baixar um filme em HD com duração de 2 horas leva em torno de até 12 horas em média; com o 5G bastará 12 segundos. Lilian explica que outro item importante em uma Internet é a latência, basicamente é o tempo de resposta que alguma aplicação te retorna com a informação solicitada. Para quem gosta de jogos, sabe como é essencial uma latência baixa. No 5G vai representar uma média de 1 a 4 milissegundos, sendo que atualmente temos em torno de 80 milissegundos no 4G.

Em um show ou um estádio, por exemplo, quando as pessoas tentam se conectar ao mesmo tempo e não conseguem, a internet cai, apesar de ter sinal na região, o rádio que transmite o 4G suporta até mais ou menos 10 mil dispositivos por quilômetro quadrado. Em um show com 30 mil pessoas não seria possível se conectar, entretanto a cobertura do rádio 5G será capaz de conectar cerca de 1 milhão de dispositivos no mesmo espaço.

Para Lilian, esses avanços só serão possíveis porque essa nova tecnologia terá uma frequência exclusiva de operação, o que vai exigir um investimento alto das operadoras atuais para atender todo o país, pois os equipamentos atuais de transmissão terão que ser trocados. Mesmo o consumidor final, se quiser usar a nova tecnologia, precisará investir em um novo smartphone que suporte a tecnologia 5G. Os celulares atuais, que usam a tecnologia 5G DSS, não garantem que ele seja compatível com o 5G “Puro”.

“Uma área que irá se beneficiar muito com essa tecnologia será o IoT (Internet of Things) ou a chamada Internet das Coisas. Em resumo, trata-se de qualquer coisa que possa se conectar à internet, desde uma lâmpada até um carro. Isso abre um leque de possibilidades, você poderá controlar tudo pelo seu celular ou por voz através das assistentes virtuais ou mesmo integração com outros dispositivos”, diz Lilian que ainda cita:

Um grande exemplo serão os carros autônomos: com uma rede de baixa latência, alta velocidade de conexão e a possiblidade de muitos dispositivos por metro quadrado de área, o 5G vai permitir que esses carros possam ter informação de trânsito em tempo real, interagir de forma inteligente com os diversos sinais das vias, comunicar com outros carros na região para fazer com que o fluxo das vias seja mais fluido. Em tese, em uma cidade com apenas carros inteligentes não existiria mais a necessidade de semáforos, por exemplo, os “carros” saberiam das rotas de cada um e organizariam as vias da forma mais eficiente possível.

Por falar nesse cenário de uma cidade sem semáforos, como não citar as cidades inteligentes. Com uma cidade apenas de carros inteligentes poderemos ter também os transportes públicos inteligentes, um gestor de uma cidade inteligente poderá em tempo real ver as condições das vias, verificar onde estão todos os seus policiais, como está o sistema de saúde por região, podendo realocar recursos da melhor forma possível.

“Imagine que você terminou o seu expediente de trabalho, o carro de aplicativo sem motorista já está te esperando, você ativa seus óculos de realidade aumentada e vai vendo as notícias do dia e notificações pessoais, você é avisado pela sua geladeira que, baseado no seu consumo, já solicitou a reposição dos produtos que tinham acabado e que as compras estão na porta da sua casa aguardando para serem retiradas. Sua casa já sabe que você está chegando, baseada na localização do seu celular, já enche a sua banheira com a temperatura da água que você gosta, quando você se aproxima, já liga a luz em frente da sua casa, ao chegar mais perto ela destranca a porta e liga as luzes internas, emite um aviso sonoro informando para pegar as compras que chegaram, você pega as compras e entra, a luz de fora desliga e a porta se tranca automaticamente, as caixas de som da casa começam tocar a música que você gosta. Enquanto você está no banho sua assistente virtual pergunta o que você quer jantar ou faz uma sugestão baseada no seu gosto, você confirma, ela já faz o seu pedido e informa a previsão de entrega. Alguns minutos depois seu pedido chega, em um drone de entrega, na hora prevista”, diz Lilian.

Muitas das tecnologias citadas acima, no exemplo, já existem em estágios iniciais. O 5G veio para integrar as comunicações entre dispositivos completamente diferentes, gerando cada vez mais mobilidade e novas possiblidades, além de incentivar empresas a investirem no mercado de IoT que tem tudo para crescer vertiginosamente nos próximos anos.

Vale lembrar que o país tem proporções continentais e instalar o 5G em todo os lugares vai depender de um alto investimento das empresas de telecomunicações, assim como criação de infraestruturas. Não há dúvida de que mais uma vez o sistema implementado ajudaria pessoas, empresas e governos. Essa seria, de fato, a democratização da Internet no país.

“O 5G com velocidade e qualidade igual e, em alguns casos, até superior à Internet banda larga atual, lembra o mesmo processo de virada tecnológica quando deixamos de usar as linhas fixas de telefonia e passamos para as linhas móveis. Podemos estar vivendo o mesmo ponto de virada, onde internet fixa será coisa do passado e a moda agora será 5G para todos os lados”, finaliza Lilian.