KPMG: rentabilidade, sustentabilidade e IA marcam perspectiva no setor químico para este ano
O setor químico e petroquímico no Brasil passará por uma fase de transição com o objetivo de impulsionar o crescimento dos negócios, inovação, sustentabilidade e inteligência artificial (IA). Essa é a análise do sócio da KPMG no Brasil e líder do setor, Valter Shimidu. Segundo ele, a capacidade de adaptação e o planejamento voltados para resultados de longo prazo podem fazer a diferença para as empresas.
“O recomendado é que as organizações deste setor definam novas estratégias com base nos impactos geopolíticos, compra de insumos e materiais importados, além da demanda do mercado interno e externo. Já para as lideranças, a orientação é investir em transformação tendo em vista os desafios globais. Quanto à adoção da IA, é importante reconhecer o diferencial da inclusão da ferramenta ao negócio para agregar valor e solucionar questões urgentes”, explica.
De acordo com o sócio, a rentabilidade e a logística estão entre os principais desafios do setor neste ano.
“O transporte de produtos químicos exige altos padrões de segurança e os custos logísticos permanecem elevados devido à escassez de contêineres e gargalos nos portos. Para lidar com essas dificuldades, as empresas estão adotando tecnologias como blockchain e digitalização da cadeia de suprimentos, buscando maior eficiência e rastreabilidade. Há oportunidades significativas para fortalecer a indústria nacional, principalmente, por meio de investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento e políticas públicas que incentivem a competitividade e a sustentabilidade”, explica.
De acordo com Shimidu, a sustentabilidade também se tornou uma prioridade estratégica, devido às regulamentações ambientais, principalmente, da União Europeia, certificações, padrões de segurança, descarbonização da produção e o desenvolvimento de soluções químicas mais limpas.
“Existe um custo para as empresas implementarem efetivamente os fatores ESG, especialmente, para zerar as emissões líquidas e realizar a descarbonização da cadeia de suprimentos. No entanto, esses processos terão que ser feitos e aquelas que avançarem rapidamente rumo a uma transformação liderada pela sustentabilidade poderão obter uma vantagem significativa no mercado”, finaliza.
Principais tendências do setor para este ano:
Química sustentável e baixo carbono: matérias-primas renováveis; adoção de biomassa, bioetanol e fontes vegetais como alternativas ao petróleo; pegada de carbono como critério competitivo: cadeias de produção mais limpas.
- Desenvolvimento de químicos verdes: maior produção de biopolímeros, solventes ecológicos e produtos de baixa toxicidade.
Economia circular e reaproveitamento de resíduos
- Reciclagem química e química reversa: ênfase na reutilização de plásticos, solventes e subprodutos industriais.
- Integração com cadeias de reciclagem: foco na ecoeficiência na produção.
Digitalização e Indústria 4.0
- Sensores, automação e análise de dados para uma produção mais eficiente e
- Avanços em manutenção preditiva, gêmeos digitais e monitoramento em tempo
- Adoção da IA: empresas químicas estão utilizando inteligência artificial para formulações e gestão logística.
Cadeias locais mais fortes e substituição de importações
- Estratégia de reindustrialização: maior nacionalização da produção química e petroquímica.
- Incentivos para pólos industriais integrados: como o Complexo Camaçari (BA) e o Comperj (RJ), com foco em competitividade e infraestrutura.
ESG e pressão regulatória
- Requisitos ambientais rigorosos tanto nacionais quanto para os mercados de exportação.
- Maior transparência nos processos, na rastreabilidade das matérias-primas e no cumprimento das normas ambientais.
- Inclusão da química na taxonomia verde do Brasil e dos principais blocos econômicos.
Pesquisa e Desenvolvimento em Biotecnologia e Novos Materiais
- Avanços em bioquímica industrial: enzimas, biossurfactantes, biopolímeros.
- Pesquisa sobre materiais avançados como polímeros de alta resistência e produtos funcionais para os setores de saúde, cosméticos e alimentos.
Fonte: KPMG