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Perspectivas e desafios para as empresas em 2026: adaptação, tecnologia e regulação no centro da estratégia

Perspectivas e desafios para as empresas em 2026: adaptação, tecnologia e regulação no centro da estratégia

O ano de 2026 se apresenta como um período de transição para as empresas que buscam crescer em um ambiente econômico mais volátil. A combinação entre tensões geopolíticas, pressão sobre cadeias de suprimento, aumento de custos — especialmente ligados à energia — e novas exigências regulatórias exige das organizações uma postura mais estratégica, disciplinada e adaptável.

Mais do que um cenário de incerteza futura, trata-se de um ambiente onde os efeitos já são concretos: inflação impactando o consumo, pressão sobre margens e maior complexidade operacional. Nesse contexto, crescimento, eficiência e gestão de riscos deixam de ser agendas paralelas e caminham integradamente.

Os dados mais recentes do International Business Report (IBR), estudo global da Grant Thornton, ajudam a dimensionar esse movimento. No Brasil, 67% dos empresários se mostram otimistas com a economia, uma queda em relação ao trimestre anterior, refletindo um ambiente de maior cautela. Ao mesmo tempo, os indicadores de atividade permanecem elevados: 80% das empresas esperam aumento de receita, 78% projetam crescimento da rentabilidade e 73% pretendem ampliar o número de empregados.

Essa combinação revela uma mudança relevante no comportamento empresarial. A queda do otimismo não representa retração, mas uma adaptação a um contexto mais exigente. As empresas seguem avançando, mas com decisões mais criteriosas, maior foco em eficiência e atenção redobrada à alocação de capital. Três frentes concentram a transformação em curso: tecnologia, sustentabilidade e capital humano — agora sob uma lógica mais pragmática e orientada a resultados

A tecnologia continua sendo um dos principais pilares estratégicos, com 87% das empresas brasileiras indicando intenção de investir na área. No entanto, sua relevância se amplia. Não se trata apenas de digitalização ou automação, mas de um eixo estrutural que conecta produtividade, capacidade industrial e segurança energética.

Em um cenário marcado por volatilidade no preço do petróleo e disrupções nas cadeias globais, investir em tecnologia também significa reduzir dependências externas e aumentar a resiliência dos negócios. Esse movimento se reflete tanto na adoção de inteligência artificial e automação quanto na modernização da base produtiva e na busca por maior eficiência operacional.

A sustentabilidade corporativa também passa por uma inflexão relevante. Embora os investimentos em ESG apresentem leve desaceleração, o tema ganha força no campo regulatório, impulsionado por normas como IFRS S1 e S2. Isso indica uma mudança de natureza: ESG deixa de ser predominantemente uma agenda reputacional e ocupa um papel mais estruturante, diretamente ligado à conformidade, ao acesso a capital e à competitividade internacional.

Movimentos geopolíticos reforçam essa tendência. Em um ambiente global mais fragmentado, empresas inseridas em cadeias internacionais precisam demonstrar maior capacidade de gestão de riscos, transparência e governança para manter sua relevância em mercados estratégicos.

O terceiro eixo de transformação está relacionado ao capital humano. A crescente complexidade dos negócios e a aceleração tecnológica intensificam a demanda por profissionais qualificados. O levantamento aponta que 75% das empresas investem em capacitação, enquanto 90% indicam aumento salarial, evidenciando a centralidade das pessoas na estratégia corporativa. Esse movimento reflete uma percepção cada vez mais consolidada: não basta atrair talentos, será fundamental desenvolvê-los continuamente e alinhá-los às novas demandas do negócio.

Além desses pilares, o estudo evidencia a continuidade da internacionalização como estratégia relevante. Mesmo diante de incertezas, 67% das empresas brasileiras esperam aumentar suas exportações e 65% planejam expandir sua atuação para novos mercados. Esse movimento reforça a diversificação geográfica como instrumento de mitigação de riscos — ainda que o cenário global imponha maior cautela na tomada de decisão. O que se observa, portanto, é um ambiente de negócios mais exigente, mas também mais maduro. As empresas brasileiras demonstram maior capacidade de adaptação após uma sequência de choques recentes e seguem investindo, mesmo diante de maior volatilidade.

O curto prazo tende a permanecer pressionado, com inflação, custos elevados e incertezas externas. Ainda assim, esse mesmo contexto cria uma oportunidade estrutural para o Brasil. Em um mundo que busca diversificar cadeias produtivas e reduzir dependências, o país pode ganhar relevância como base produtiva, especialmente se avançar em tecnologia, infraestrutura e capacidade industrial. Esse movimento, no entanto, não é automático. Depende de condições como estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e segurança jurídica — fatores essenciais para destravar investimentos de longo prazo

Para as empresas, o desafio será equilibrar disciplina no presente com visão de futuro. Organizações que conseguirem combinar eficiência operacional, investimento consistente em tecnologia e capacidade de adaptação estarão mais bem posicionadas para navegar a incerteza e capturar oportunidades. Mais do que um ano de crescimento acelerado, 2026 tende a ser um ano de consolidação. E, nesse processo, devem se destacar aquelas empresas que souberem transformar pressão em eficiência e incerteza em estratégia.

Artigo escrito por Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil