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CFOs ampliam investimentos em tecnologia em meio a cenário de crescimento mais cauteloso, afirma Grant Thornton

CFOs ampliam investimentos em tecnologia em meio a cenário de crescimento mais cauteloso, afirma Grant Thornton

Em um ambiente de maior cautela econômica, a tecnologia segue ganhando espaço como prioridade estratégica para empresas e líderes financeiros. A nova edição da pesquisa americana CFO Survey Q1 2026, da Grant Thornton, mostra que 68% dos líderes financeiros esperam aumentar seus gastos com TI e transformação digital nos próximos 12 meses, o maior patamar já registrado em 21 trimestres da pesquisa. O dado reforça um movimento também observado no International Business Report (IBR) Q1 2026, que aponta que 87% das empresas brasileiras pretendem investir em tecnologia, mesmo diante de um cenário mais desafiador para a economia.

Para Maikon Silva, sócio de IT Risk da Grant Thornton Brasil, o avanço dos investimentos em tecnologia mostra uma mudança importante na agenda das lideranças financeiras. “A discussão deixou de ser apenas sobre adoção de ferramentas digitais e passou a envolver governança, segurança, integração de dados e mensuração de valor. À medida que os investimentos em IA e transformação digital escalam, os CFOs assumem um papel central na definição de prioridades, no controle de riscos e na comprovação do retorno desses projetos”, afirma.

A conexão entre os dois estudos indica que a digitalização deixou de ser uma frente isolada de inovação para se consolidar como parte da infraestrutura essencial dos negócios. No IBR, o empresariado brasileiro inicia 2026 mais cauteloso, com queda no otimismo em relação ao trimestre anterior, mas ainda orientado ao crescimento: 80% das empresas esperam aumento de receita, 78% projetam crescimento da rentabilidade e 73% pretendem ampliar o número de empregados. Nesse contexto, os investimentos em tecnologia aparecem como um caminho para sustentar eficiência, produtividade e resiliência operacional.

O CFO Survey também mostra que os líderes financeiros não estão tratando a tecnologia apenas como uma alavanca de eficiência operacional. A pesquisa indica que os investimentos em IA são cada vez mais vistos como impulsionadores de crescimento, com 72% dos CFOs esperando aumento do lucro líquido nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, a pressão por cortes de custos diminuiu: 28% dos respondentes afirmaram não planejar nenhum corte nos próximos seis meses, o maior percentual já registrado na série analisada.

Segundo Maikon, esse movimento exige mais maturidade na gestão dos projetos digitais. “Investir mais não significa, necessariamente, capturar mais valor. Para a tecnologia gerar impacto real, é preciso conectar os casos de uso a objetivos claros de negócio, estruturar indicadores de retorno, garantir qualidade dos dados e estabelecer controles compatíveis com os riscos envolvidos. Sem essa base, iniciativas de IA podem avançar rapidamente, mas sem entregar resultados sustentáveis”, explica.

Apesar do avanço dos investimentos, a pesquisa aponta desafios relevantes para a transformação digital. Apenas 62% dos líderes financeiros dizem estar confiantes de que conseguirão atingir seus objetivos de tecnologia. Entre os principais obstáculos estão restrições de tecnologia e dados, citadas por 53% dos respondentes, seguidas por prioridades concorrentes e lacunas de competências.

Na avaliação da Grant Thornton, esses desafios reforçam a necessidade de uma abordagem mais estruturada para a adoção de IA e tecnologias digitais. O IBR mostra que, no Brasil, os investimentos em tecnologia permanecem elevados mesmo com a queda em outros indicadores de confiança, o que sugere que as empresas reconhecem a digitalização como condição para competir em um ambiente de custos pressionados, instabilidade global e maior exigência por eficiência.

“Em um cenário de maior volatilidade, a tecnologia passa a ser uma agenda de gestão de risco e continuidade do negócio. Empresas que conseguirem combinar investimento consistente, governança adequada e visão de longo prazo estarão mais preparadas para transformar tecnologia em vantagem competitiva”, conclui Maikon.

Fonte: GT